Wednesday, September 27, 2006

Amor é…

Apeteceu-me teorizar sobre o Amor. Bullsheet. O amor é o sentimento mais inextricável que existe. O amor não se explica. Vive-se. Vive-se, simplesmente. Com mais ou menos intensidade. Com mais ou menos momentos fantásticos. Conforme a sorte. Conforme a vontade. Conforme o esforço das partes...
Se se explicasse, não havia corações partidos. Nem amores desencontrados. Nem amantes infelizes. E também não havia paixões arrebatadas. Nem volúpia. Nem passarinhos a cantar.
Um dia, alguém me disse que amor é uma mistura de amizade e sexo. Na altura, senti-me ameaçada. Achei o conceito primário. Redutor. Ofensivo mesmo. E não me cansei de esgrimi-lo com as minhas “verdades” emocionais.
Hoje, admito, é o mais próximo do que julgo ser de facto o amor. Mas juntaria outra às duas premissas: a magia. O “je ne sais pas quoi”, o transcendente, o inexplicável. É isto que faz do Amor a fonte maior de inspiração. O alimento dos poetas. A luz dos artistas. O riso. E as lágrimas dos amantes.

Friday, August 25, 2006

Estou a deixar a “casa de bonecas”. O meu reduto. A minha fortaleza. O único espaço que foi só meu. E que geri ao sabor dos meus projectos, sonhos e caprichos.
A partir de agora, vou partilhar de novo os dias e as noites. Com o meu amor. Que já era. E por quase deixar de ser descobri a minha casa. Que já não é.
Estou cheia de nostalgia. É como se fosse a primeira vez. Esta coisa de viver a dois. Experimento um turbilhão de sensações. Excitação. Arrepios no estômago. Pulsações aceleradas. Medo. Insónias. Irritação. Mas, sobretudo, motivação. Para contrariar o cliché: um passo à frente no amor, dois passos atrás na paixão. E vontade. De não abdicar do meu espaço. Nem açambarcar o do meu amor. E esperança . De não voltar a mergulhar no marasmo. E sonhos. De ser feliz.

Monday, August 21, 2006

Carta ao meu amor

Sabes amor, hoje acordei triste. Triste, triste, triste. Tudo à volta era cinzento. Adormeci num soluço. Com a falta do teu beijo. O beijo fôfo que me dás todas as noites. A acompanhar os votos de bons sonhos. Esta noite, esqueceste-te do beijo. Não há razões para fazer dramas. Eu sei. Estavas cansado. Tiveste um dia complicado. Ainda por cima, esperaste por mim algumas horas. Estavas contrariado. Percebo tudo isso. Agora vê se me entendes... Esta manhã, não me apeteceu ir ao encontro dos teus braços escancarados. Mais, a mágoa que tinha virou raiva quando percebeu a vontade de me envolveres num abraço. Todo dengoso. Todo lânguido. Indiferente à minha sensibilidade.
Sabes amor, estou longe de ser perfeita. Quando estou magoada não consigo fazer como se nada fosse. Sempre que o faço para fora, cresce em mim uma dor galopante por dentro. Daquelas que abrem um fosso tremendo (entre nós). Por outro lado, quando reajo, reajo mal. De forma quase primária. Não consigo dosear a explosão. Ainda não aprendi a arte do disfarce. Não em matéria de amor. Não queria dizer-te o que disse. Fi-lo para vingar a minha dor pequenina. Escavei uma dor maior. Feita da minha e da tua. Sabes amor, peço desculpa...

Thursday, August 10, 2006

Faz-me acreditar


Amor, tenho medo
Muito medo
De esquecer o amor que te sinto
E perder o amor que me sentes
Muito medo
De acordar triste
E longe do encantamento
Amor, tenho medo
Muito medo
Deixa o tempo adormecer
Sem hora para despertar
Muito medo
Aperta os teus braços
À volta do meu medo
Enche-o de ti
Enche-o de ímpeto e alegria
Amor, tenho medo
Muito medo
Diz que somos eternos
Faz-me acreditar que o medo não existe.

Tuesday, August 01, 2006

Desis(ti)

Ontem
Esperei por ti a noite toda
E toda a noite
Ouvi o silêncio
Insurdecedor
Inquieto
Ingrato
Alheio à minha saudade
Alheio à minha dor
Alheio à minha necessidade
Em desepero
Odiei-te
Odiei-te
Esqueci-te.

Wednesday, July 26, 2006

Um dia vou ser capaz

Um dia vou ser capaz...
De dar apenas o que mereces receber.
De contar apenas com o que podes dar.
De perceber que não és comigo
A projecção do que sou contigo.
Um dia vou ser capaz...
De não questionar as nossas diferenças.
De entender que o teu sentir
Não é decalcado do meu.
Um dia vou ser capaz...
De pedir-te absolutamente nada.

Monday, July 24, 2006

Somos mais felizes quanto mais “tolos” somos. Os problemas surgem quando temos noção do que se passa. Da maldade, do ridículo, da mentira, do escárnio, da deslealdade... Enfim, de tudo o que nos impede de sermos realmente felizes. Sem essa consciência, tudo é lindo. Tudo é fácil.
Conheci uma triste menina alegre, a Joana. Tal é a suplece com que encara tudo o que faz, costumam chamá-la de “Joana no País das Maravilhas”. Vive como se nada fosse consequência de nada. Ou melhor, sem a menor preocupação com o “devir” dos actos. Seus e das pessoas que a envolvem. Fala, ama, faz sexo e usa aditivos com a mesma leveza que respira. E segue a vida numa vertigem quase insana. Apenas a galope dos seus caprichos. Sem quaisquer filtros. Sem moral. E, por vezes, até sem respeito pelos códigos sociais.
Tão parecida comigo quando tinha dezoito anos. Tão diferente de mim agora, com trinta e sete e talvez um pouco menos feliz.
Não quero voltar a ser como a Joana, pateticamente encantada com a vida. Não pretendo alhear-me do mundo para poder viver nele. Não me apetece fazer essa regressão. O caminho faz-se caminhando. Para a frente. Ou noutra direcção qualquer. Mas nunca para trás.
A minha vontade é conciliar-me comigo. Espiritualmente. E, tal como o Siddartha de Herman Hess, encontrar um santuário dentro de mim. Um refúgio “abençoado” para recolher-me sempre que a vontade quiser. E a alma precisar. Só assim vou encontrar a via da serenidade. Quase não tenho dúvidas. Vou ser mais feliz quanto menos “tola” for.

Thursday, July 20, 2006

Amor sem amor se apaga

“Amo-te muito, muito, muito...”
Ela deixou de acreditar na melodia das declarações dele. Quem ama cuida. Ele não fez isso. Nunca. Ela esperou pelos sinais. Do amor. E do respeito. Esperou tanto que ficou com dúvidas. Muitas dúvidas.
Um dia, acordou angustiada. Antes de sair – talvez para sempre – deixou-lhe uma nota. “Desculpa, mas amor alimenta-se de amor. Preciso de olhar para dentro de mim e perceber o que sinto. Pela primeira vez, questiono os meus sentimentos por ti. Era desleal ocultar-te isto.”
Pouco depois de chegar e aterrar no sofá, ele descobriu a mensagem. Leu-a vezes sem conta. Mas deixou-se ficar. Quieto. Ela não voltou mais.

Monday, July 10, 2006

Já disse hoje....

Já disse hoje que te amo muito, muito, muito?
E que és o ser da minha existência?
E que pensar em ti é tesão?
E que quando não estás fico num desassossego de alma?
E que as saudades vêm potenciar a enormidade da minha paixão?
E que durmo abraçada à almofada para te sentir mais perto?
E que beijo os meus braços fingindo serem os teus lábios a fazê-lo?
E que amar-te é o minha droga predilecta?
E que sou incapaz de passar às palavras a vertigem que me despertas?
E que fecho os olhos vezes sem conta para sentir o cheiro da tua nuca?
E que estou a contar os minutos de todas as horas à espera de ver-te chegar?
E que não acredito haver amor maior do que o nosso?
E que os meus olhos humedecem quando penso que quase nos perdemos?
E que graças a ti sou hoje uma pessoa melhor?
E que quero morrer antes do nosso amor acabar?
E que estou a chorar?

Friday, July 07, 2006

Os meus irmãos e eu

Cinco
eu e os meus irmãos
tão diferentes na forma
tão iguais na essência
cinco
irmãos de sangue
nome e coração
cinco
tão perto uns dos outros
apesar da distância de lugar
querer e estar
cinco
eu e eles
diferentes na atitude
decalcados no amor que sentimos.
  • A noite

    A noite é sublime
    quando te encontro
    pelos caminhos que sigo
    a noite é sublime
    quando sabores a álcool, saliva e suor
    se confundem no meu gosto
    a noite é sublime
  • quando as tuas mãos me procuram
    e os nossos olhos dizem
    o que não precisam de falar
    a noite é sublime
    sempre que te reinvento nela.

Thursday, June 29, 2006

O lado errado

Vivo do lado errado. Por inércia ou falta de coragem de ir ao encontro do outro lado. Tudo podia ser diferente. Não é. Muitas vezes, por ausência de querer. Quebrar instalações exige esforço.

Wednesday, June 28, 2006

O nosso amor
é um barco à deriva
num mar de tempestade
e ruma contra os ventos
em braços de ferro derrotados
o nosso amor
é um ser maldito e atormentado
à procura de tranquilidade
já quase a desistir
apesar da esperança pintada
no imenso verde dos meus olhos
o nosso amor
é um animal sedento e moribundo
sem nascentes por perto
seco, tão seco e desenganado
sob a antevisão da morte que chega.

Este país não é para velhos

O meu espaço de sossego em dia de tpm é interrompido pelo “desbafo” (como diz uma amiga from London) da senhora que acaba de sentar-se à minha frente no metro.
- “… Este país não é para velhos, menina. Desculpe, não sei se é menina se é senhora. Como não usa aliança presumo que seja menina. Antigamente era mais fácil perceber. Agora está tudo misturado, meninas e senhoras.”
- “Sou menina.”, confirmo a sorrir. A minha mãe costuma dizer que hei-de ser velhinha sem querer ser senhora.
- “A vida tá cada vez pior... Uma desgraça. Esta coisa do euro veio estragar tudo... Imagine que agora, fazendo as contas, um molho de grelos custa quatrocentos e tal escudos! Antes, com esse dinheiro eu ia à mercearia e trazia dois ou três sacos de compras.
Sabe menina, tenho esta idade, sou doente e ainda preciso de trabalhar. Trabalho a dias em duas casas para poder comer e pagar os remédios. A minha reforma não dá p’ra nada. Este país não é para velhos, menina. Uma miséria, é o que é. Não sei onde é que isto vai parar. Do jeito que as coisas tão...”
O queixume continua caminho fora até que a interlocutora dá conta do meu silêncio.
- Tou p’ra aqui a falar, a falar e a menina nada. O que está a pensar?
-“Tanta coisa…”, respondo evasiva, tentando esboçar novo sorriso.  Tanta coisa, para não responder “Não é da sua conta.” Ou “Desculpe mas hoje estou com pouca paciência para conversas sobre a crise. Além disso, a sua ladaínha não me deixa ler o livro que trago aberto na mesma página há quinze minutos.”
Ainda bem que filtrei o mau feitio. Passada a tpm,  a abordagem da senhora ganha outra importância e converte-se no assunto desta crónica. Afinal, acredito que este país é também para velhos. No mínimo, vamos escutar o que têm a dizer.

Eu estou bem

"Eu estou bem, obrigada. A sério." Com esta e outras respostas evasivas tento proteger a auto-estima que me resta. Foi o golpe mais duro da minha existência. O amor da minha vida concluíu que eu não sou o amor da vida dele. Isto, dois dias depois de ter dito que me amava muito, muito, muito. Isto, decorridos três anos de uma história de amor avassaladora, feita de cumplicidade e paixão. Isto, a apenas um mês de assinarmos a escritura da casa dos nossos sonhos. Está a ser uma surpresa gigante. Ainda por cima, mal fundamentada (como acabam por ser todas as rupturas amorosas). Afinal, "temos pouco a ver um com o outro". É o que ele diz. Cheio de propriedade, como se evocasse a razão mais válida do mundo. Eu gosto de poesia. Ele prefere filmes de acção. Eu gosto de passear ao domingo. Ele prefere ficar em casa a fazer zapping. Eu gosto de beijinhos na boca. Ele prefere cafonés na cabeça. Eu gosto dele. Ele não sei de quem gosta. E se gosta. Aliás, sobre ele cada vez mais "sei que nada sei". Na verdade, deixei de ter certezas quando o assunto é amor... Mas tenho a impressão de que estamos a abrir mão de um romance irrepetível. Daqueles que nos fazem perceber que a felicidade é possível (por mais pirosa que possa soar). Daqueles em que são mais as razões que nos aproximam do que as que nos separam. Daqueles que nos levam a assumir sem pruridos as "almas gémeas" que somos. Porque somos. Ou fomos... Eu gosto de uma boa gargalhada. Ele faz-me rir. Eu gosto de sushi. Ele gosta de sashimi. Eu gosto de dormir abraçada. Ele gosta de abraçar-me. Eu gosto de fazer amor com ele. Ele gosta de fazer amor comigo. Eu gosto dele. Ele não sabe que gosta de mim. Um dia há-de perceber. Ou talvez não. Seja como fôr, já pouco importa. Estou desencantada. O meu coração balança entre o amor que ainda sinto e o desamor que já se instalou. Se calhar, é o curso natural das coisas. Se calhar, os meus sentimentos perderam elasticidade. De tanto serem postos à prova. Se calhar, o homem que amei este tempo todo nunca existiu. Se calhar, não passou de uma projecção feita à medida do amor que eu tinha para dar.

Tuesday, June 27, 2006

Desilusão

Consegues perceber a dor
dentro dos meus olhos?
é incógnita
e silenciosa
apesar de verdadeira e brutal
não há amor
poema
ou droga
que a torne menos doída
sem aviso
tomou conta da minha alma
e deixou-me desarmada
sem escolha
não sei como vivê-la
não sei como matá-la

talvez
morrendo.
Amo-te papá

Sob a máscara do embaraço
nunca te disse papá
o meu amor por ti
hoje decidi fazê-lo
embora o saibas já
tenho a certeza
este amor que te sinto
é o espelho do amor que me sentes
e tu
és o único fiador da sua existência
mesmo assim
quero dizer-te
de voz embargada
e pele arrepiada
que te amo muito
e quase morro quando penso
que um dia me podes deixar
sem que em mim tenha encontrado
conforto e ocasião
para dizer-te sem pudor
amo-te papá,
do coração.
Afinal

Afinal
antes de ti
nada
nada feito de muita confusão
mas
ainda assim
nada
afinal
depois de ti
tudo
tudo condensado numa explosão
loucura
orgasmo
paz
inquietação
afinal
sem ti
muito
muito feito de tudo
e de nada
síntese inevitável
de quem sobrevive
à morte da paixão.
Antecipação

Mais de mil razões para sorrir
e choro
choro com medo de perder
as mais de mil razões para sorrir
choro
porque antecipo uma dor insuportável
uma dor que não consigo distrair
apesar
das mais de mil razões para sorrir.
É cedo para o adeus

Não
as palavras entre nós não estão gastas
como diz o poeta

não
os nossos corpos não se esgotaram
apesar do cansaço

não
a esperança não mudou de cor
mesmo que tenhas deixado de acreditar

sim
há ainda muito por dizer
por cima e ao lado do que já foi dito

sim
o sopro frio ainda nos arrepia as nucas
quando a minha e a tua pele se tocam

sim
estamos ainda a tempo de segurar o amor
e fazer dele um sonho possível.