O que faço à semente que tenho dentro de mim?
Despenalizar ou não a prática do aborto? A questão está na ordem do dia. Quem me conhece sabe perfeitamente o que penso sobre o assunto. Enquanto mulher nem imagino assumir outra posição. Enoja-me tanta hipocrisia. Em nome da moral e do direito à vida (mas que vida?! E a partir de quando a vida é vida?).
Neste momento, confesso, a despenalização do aborto é a última das minhas preocupações. Foi apenas uma forma de introduzir-vos o dilema em que estou. Procuro desesperadamente uma resposta confortável à pergunta que me atormenta na última semana. O que faço à semente que tenho dentro de mim?
Noutros tempos, a resposta seria fácil. E pronta. Hoje, tudo é diferente. Faz-me falta ser mãe. Melhor dizendo: vai fazer-me falta ser mãe. Dito assim, parece um cliché de segunda categoria ( como se houvesse clichés de primeira!). Na verdade, sinto que estou no dead line da minha existência fértil. A natureza parece estar a testar-me. Uma vez mais. E não sei se me vai propiciar outras oportunidades. Vivo o meu estádio mais maduro. É agora ou nunca.
Vai ser nunca. Já percebi. E tenho pena. O relógio biológico é impaciente e não espera. Tem um timing estanque. Que, infelizmente, não coincide com o do meu quotidiano. Só por isso (desajustes de timing), nos tempos mais próximos ser mãe é impensável. Ele há muitas razões... Ausência das condições materiais indespensáveis à maternidade. E falta de backstage familiar. Sim, porque os meus pais estão longe fisicamente. Não posso contar com o colinho deles. Nem eu nem o bebé que gostaria de gerar.
Não é só isso. Como vou encaixar mais um ser na minha vida? Tão cheia de falta de tempo. Tão cheia de coisas minhas. Tão cheia de coisas nossas (minhas e do meu amor). Como ganho latitude para amar a três? Ainda não sou capaz de responder às perguntas que se digladiam entre o coração e a razão. Enquanto isto, só há uma saída para a semente que tenho dentro de mim. Deixá-la ir ao encontro do mar. Imenso. Azul. Infinito.
Wednesday, January 10, 2007
Thursday, December 28, 2006
A metade que faz de mim um todo
Abençoada. É assim que me sinto hoje. Sempre evitei exprimir com as letras todas os meus estados de alma. Tanto de alegria como de tristeza. Por pudor. Mas também porque aprendi que assim devia ser.
Sempre ouvi: “Não fales da tua dor porque há sempre alguém que se vangloria.” Ou: “Não abras a tua felicidade porque desperta inveja e maus sentimentos.”
Confesso que estes dogmas me acompanham desde que me entendo como ser que sente e pensa. E determinam, de certa maneira, a minha forma de estar. Mas acho que já é tempo de os mandar dar uma volta. Nem que seja por um bocadinho. De vez em quando.
Se estou feliz, que mal tem em gritar ao mundo? O propósito não é afrontar ninguém. É mais o de acender uma luzinha nos corações dos que me ouvem...
E hoje apetece-me dizer com toda a sonoridade. SINTO-ME ABENÇOADA. ENCONTREI A METADE QUE FAZ DE MIM UM TODO.
Abençoada. É assim que me sinto hoje. Sempre evitei exprimir com as letras todas os meus estados de alma. Tanto de alegria como de tristeza. Por pudor. Mas também porque aprendi que assim devia ser.
Sempre ouvi: “Não fales da tua dor porque há sempre alguém que se vangloria.” Ou: “Não abras a tua felicidade porque desperta inveja e maus sentimentos.”
Confesso que estes dogmas me acompanham desde que me entendo como ser que sente e pensa. E determinam, de certa maneira, a minha forma de estar. Mas acho que já é tempo de os mandar dar uma volta. Nem que seja por um bocadinho. De vez em quando.
Se estou feliz, que mal tem em gritar ao mundo? O propósito não é afrontar ninguém. É mais o de acender uma luzinha nos corações dos que me ouvem...
E hoje apetece-me dizer com toda a sonoridade. SINTO-ME ABENÇOADA. ENCONTREI A METADE QUE FAZ DE MIM UM TODO.
Thursday, December 14, 2006
Falta um grande chocolate na minha vida
Estou tão triste que não consigo segurar as lágrimas nos olhos. Escorrem-me, galopantes, pelo rosto. Salgadas. Quentes. Corrosivas. Ferem-me sem dó a pele sensível. Mas, à medida que brotam, a dor que mal seguro torna-se menos doída. Ainda assim, mantém-se no limiar do suportável. Ou seja, quase a resvalar para o desespero.
Tudo isto porque sou pateticamente sentimental. Sou, de resto, como todas as mulheres (e homens) que sofrem de amor. Da falta dele, melhor dizendo. Corro desenfreada atrás daquilo que teima em fugir. E recuso aceitar o curso natural das coisas. Recuso admitir que as emoções são efémeras. E que estar só não é necessariamente mau. E não é mesmo. Pode até ser gratificante. Sobretudo, pelo espaço gigantesco que inaugura nas nossas vidas. Espaço de ócio e lazer. Estou farta de saber que assim é. Mas, na verdade, comporto-me como se não soubesse. Talvez a auto-comiseração seja o único estádio que me é permitido experimentar no momento. Prefiro acreditar que não. Mas, entretanto, nada tenho feito para contrariar esta inércia. E deixo-me estar cheia de pena.
Tanta pena que me esqueço de tirar proveito da coisa boa que é ser senhora de mim o tempo todo. E comer todos os chocolates que a alma pede sem temer que as ancas cresçam. E jantar uma sandes simplesmente porque me apetece ou estou sem vontade de cozinhar. E descurar a depilação sem me sentir o lobisomen ou recear que me franzam o sobrolho em sinal de protesto. E ser dona do comando da televisão para ver os disparates que entender sem negociar nem deixar ninguém amuado. E deitar-me à hora que quiser sem que uma voz (por vezes impertinente) me chame para a cama. E flirtar em todas as festas e encontros sociais sem que a culpa tome conta de mim. E não ter de esclarecer mal entendidos quase todos os dias a fim de acalmar as susceptibilidades do outro. E vestir pijaminhas quando o frio chega sem querer saber se é ou não um verdadeiro anti-tusa.
E tantos outros pequenos e grandes confortos aguardam que os desfrute. É o que vou fazer. Assim que conseguir apaziguar as feridas do meu amor próprio. Para já, vou comprar um grande chocolate e comê-lo todo sozinha. Até sentir a garganta a arder. E o coração encher-se de doçura.
Estou tão triste que não consigo segurar as lágrimas nos olhos. Escorrem-me, galopantes, pelo rosto. Salgadas. Quentes. Corrosivas. Ferem-me sem dó a pele sensível. Mas, à medida que brotam, a dor que mal seguro torna-se menos doída. Ainda assim, mantém-se no limiar do suportável. Ou seja, quase a resvalar para o desespero.
Tudo isto porque sou pateticamente sentimental. Sou, de resto, como todas as mulheres (e homens) que sofrem de amor. Da falta dele, melhor dizendo. Corro desenfreada atrás daquilo que teima em fugir. E recuso aceitar o curso natural das coisas. Recuso admitir que as emoções são efémeras. E que estar só não é necessariamente mau. E não é mesmo. Pode até ser gratificante. Sobretudo, pelo espaço gigantesco que inaugura nas nossas vidas. Espaço de ócio e lazer. Estou farta de saber que assim é. Mas, na verdade, comporto-me como se não soubesse. Talvez a auto-comiseração seja o único estádio que me é permitido experimentar no momento. Prefiro acreditar que não. Mas, entretanto, nada tenho feito para contrariar esta inércia. E deixo-me estar cheia de pena.
Tanta pena que me esqueço de tirar proveito da coisa boa que é ser senhora de mim o tempo todo. E comer todos os chocolates que a alma pede sem temer que as ancas cresçam. E jantar uma sandes simplesmente porque me apetece ou estou sem vontade de cozinhar. E descurar a depilação sem me sentir o lobisomen ou recear que me franzam o sobrolho em sinal de protesto. E ser dona do comando da televisão para ver os disparates que entender sem negociar nem deixar ninguém amuado. E deitar-me à hora que quiser sem que uma voz (por vezes impertinente) me chame para a cama. E flirtar em todas as festas e encontros sociais sem que a culpa tome conta de mim. E não ter de esclarecer mal entendidos quase todos os dias a fim de acalmar as susceptibilidades do outro. E vestir pijaminhas quando o frio chega sem querer saber se é ou não um verdadeiro anti-tusa.
E tantos outros pequenos e grandes confortos aguardam que os desfrute. É o que vou fazer. Assim que conseguir apaziguar as feridas do meu amor próprio. Para já, vou comprar um grande chocolate e comê-lo todo sozinha. Até sentir a garganta a arder. E o coração encher-se de doçura.
Thursday, November 02, 2006
Acho que devo a sanidade mental à escrita. Aos desabafos que faço, escrevendo. Só assim consigo lavar a alma. Ou deixá-la mais aliviada. Muito graças a esta catarse aparento ser uma pessoa equilibrada. Ou quase. E vou seguindo sem grandes sobressaltos. Do lado de fora. Ou melhor, vista do lado de fora. “A melhor maneira de saber quem somos, muitas vezes, é tentar perceber como os outros nos vêem.” Quem diz é o romancista brasileiro Paulo Coelho. Até concordo com a observação. Seja como fôr, do lado de dentro (onde me encontro a maior parte das vezes) é diferente.
É raro o dia em que não me confronto com novos desafios. A uns, agradeço a elasticidade mental e o crescimento interior. A outros, lamento os tormentos. E contra estes luto. Embalada nos alentos que desperto em mim. Nunca ninguém disse que viver era fácil. Mas há quem viva de forma mais serena. Menos doída, pelo menos. Sempre pensei que tranquilos eram os pobres de espírito. Aqueles que não questionam. Aqueles que aceitam o que a vida lhes dá. Aqueles que desconhecem e nada fazem para conhecer.
Não quero ser pobre de espírito mas busco a quietude. Um dia atrás do outro...
É raro o dia em que não me confronto com novos desafios. A uns, agradeço a elasticidade mental e o crescimento interior. A outros, lamento os tormentos. E contra estes luto. Embalada nos alentos que desperto em mim. Nunca ninguém disse que viver era fácil. Mas há quem viva de forma mais serena. Menos doída, pelo menos. Sempre pensei que tranquilos eram os pobres de espírito. Aqueles que não questionam. Aqueles que aceitam o que a vida lhes dá. Aqueles que desconhecem e nada fazem para conhecer.
Não quero ser pobre de espírito mas busco a quietude. Um dia atrás do outro...
Wednesday, September 27, 2006
Amor é…
Apeteceu-me teorizar sobre o Amor. Bullsheet. O amor é o sentimento mais inextricável que existe. O amor não se explica. Vive-se. Vive-se, simplesmente. Com mais ou menos intensidade. Com mais ou menos momentos fantásticos. Conforme a sorte. Conforme a vontade. Conforme o esforço das partes...
Se se explicasse, não havia corações partidos. Nem amores desencontrados. Nem amantes infelizes. E também não havia paixões arrebatadas. Nem volúpia. Nem passarinhos a cantar.
Um dia, alguém me disse que amor é uma mistura de amizade e sexo. Na altura, senti-me ameaçada. Achei o conceito primário. Redutor. Ofensivo mesmo. E não me cansei de esgrimi-lo com as minhas “verdades” emocionais.
Hoje, admito, é o mais próximo do que julgo ser de facto o amor. Mas juntaria outra às duas premissas: a magia. O “je ne sais pas quoi”, o transcendente, o inexplicável. É isto que faz do Amor a fonte maior de inspiração. O alimento dos poetas. A luz dos artistas. O riso. E as lágrimas dos amantes.
Apeteceu-me teorizar sobre o Amor. Bullsheet. O amor é o sentimento mais inextricável que existe. O amor não se explica. Vive-se. Vive-se, simplesmente. Com mais ou menos intensidade. Com mais ou menos momentos fantásticos. Conforme a sorte. Conforme a vontade. Conforme o esforço das partes...
Se se explicasse, não havia corações partidos. Nem amores desencontrados. Nem amantes infelizes. E também não havia paixões arrebatadas. Nem volúpia. Nem passarinhos a cantar.
Um dia, alguém me disse que amor é uma mistura de amizade e sexo. Na altura, senti-me ameaçada. Achei o conceito primário. Redutor. Ofensivo mesmo. E não me cansei de esgrimi-lo com as minhas “verdades” emocionais.
Hoje, admito, é o mais próximo do que julgo ser de facto o amor. Mas juntaria outra às duas premissas: a magia. O “je ne sais pas quoi”, o transcendente, o inexplicável. É isto que faz do Amor a fonte maior de inspiração. O alimento dos poetas. A luz dos artistas. O riso. E as lágrimas dos amantes.
Friday, August 25, 2006
Estou a deixar a “casa de bonecas”. O meu reduto. A minha fortaleza. O único espaço que foi só meu. E que geri ao sabor dos meus projectos, sonhos e caprichos.
A partir de agora, vou partilhar de novo os dias e as noites. Com o meu amor. Que já era. E por quase deixar de ser descobri a minha casa. Que já não é.
Estou cheia de nostalgia. É como se fosse a primeira vez. Esta coisa de viver a dois. Experimento um turbilhão de sensações. Excitação. Arrepios no estômago. Pulsações aceleradas. Medo. Insónias. Irritação. Mas, sobretudo, motivação. Para contrariar o cliché: um passo à frente no amor, dois passos atrás na paixão. E vontade. De não abdicar do meu espaço. Nem açambarcar o do meu amor. E esperança . De não voltar a mergulhar no marasmo. E sonhos. De ser feliz.
A partir de agora, vou partilhar de novo os dias e as noites. Com o meu amor. Que já era. E por quase deixar de ser descobri a minha casa. Que já não é.
Estou cheia de nostalgia. É como se fosse a primeira vez. Esta coisa de viver a dois. Experimento um turbilhão de sensações. Excitação. Arrepios no estômago. Pulsações aceleradas. Medo. Insónias. Irritação. Mas, sobretudo, motivação. Para contrariar o cliché: um passo à frente no amor, dois passos atrás na paixão. E vontade. De não abdicar do meu espaço. Nem açambarcar o do meu amor. E esperança . De não voltar a mergulhar no marasmo. E sonhos. De ser feliz.
Monday, August 21, 2006
Carta ao meu amor
Sabes amor, hoje acordei triste. Triste, triste, triste. Tudo à volta era cinzento. Adormeci num soluço. Com a falta do teu beijo. O beijo fôfo que me dás todas as noites. A acompanhar os votos de bons sonhos. Esta noite, esqueceste-te do beijo. Não há razões para fazer dramas. Eu sei. Estavas cansado. Tiveste um dia complicado. Ainda por cima, esperaste por mim algumas horas. Estavas contrariado. Percebo tudo isso. Agora vê se me entendes... Esta manhã, não me apeteceu ir ao encontro dos teus braços escancarados. Mais, a mágoa que tinha virou raiva quando percebeu a vontade de me envolveres num abraço. Todo dengoso. Todo lânguido. Indiferente à minha sensibilidade.
Sabes amor, estou longe de ser perfeita. Quando estou magoada não consigo fazer como se nada fosse. Sempre que o faço para fora, cresce em mim uma dor galopante por dentro. Daquelas que abrem um fosso tremendo (entre nós). Por outro lado, quando reajo, reajo mal. De forma quase primária. Não consigo dosear a explosão. Ainda não aprendi a arte do disfarce. Não em matéria de amor. Não queria dizer-te o que disse. Fi-lo para vingar a minha dor pequenina. Escavei uma dor maior. Feita da minha e da tua. Sabes amor, peço desculpa...
Sabes amor, hoje acordei triste. Triste, triste, triste. Tudo à volta era cinzento. Adormeci num soluço. Com a falta do teu beijo. O beijo fôfo que me dás todas as noites. A acompanhar os votos de bons sonhos. Esta noite, esqueceste-te do beijo. Não há razões para fazer dramas. Eu sei. Estavas cansado. Tiveste um dia complicado. Ainda por cima, esperaste por mim algumas horas. Estavas contrariado. Percebo tudo isso. Agora vê se me entendes... Esta manhã, não me apeteceu ir ao encontro dos teus braços escancarados. Mais, a mágoa que tinha virou raiva quando percebeu a vontade de me envolveres num abraço. Todo dengoso. Todo lânguido. Indiferente à minha sensibilidade.
Sabes amor, estou longe de ser perfeita. Quando estou magoada não consigo fazer como se nada fosse. Sempre que o faço para fora, cresce em mim uma dor galopante por dentro. Daquelas que abrem um fosso tremendo (entre nós). Por outro lado, quando reajo, reajo mal. De forma quase primária. Não consigo dosear a explosão. Ainda não aprendi a arte do disfarce. Não em matéria de amor. Não queria dizer-te o que disse. Fi-lo para vingar a minha dor pequenina. Escavei uma dor maior. Feita da minha e da tua. Sabes amor, peço desculpa...
Thursday, August 10, 2006
Faz-me acreditar
Amor, tenho medo
Muito medo
De esquecer o amor que te sinto
E perder o amor que me sentes
Muito medo
De acordar triste
E longe do encantamento
Amor, tenho medo
Muito medo
Deixa o tempo adormecer
Sem hora para despertar
Muito medo
Aperta os teus braços
À volta do meu medo
Enche-o de ti
Enche-o de ímpeto e alegria
Amor, tenho medo
Muito medo
Diz que somos eternos
Faz-me acreditar que o medo não existe.
Amor, tenho medo
Muito medo
De esquecer o amor que te sinto
E perder o amor que me sentes
Muito medo
De acordar triste
E longe do encantamento
Amor, tenho medo
Muito medo
Deixa o tempo adormecer
Sem hora para despertar
Muito medo
Aperta os teus braços
À volta do meu medo
Enche-o de ti
Enche-o de ímpeto e alegria
Amor, tenho medo
Muito medo
Diz que somos eternos
Faz-me acreditar que o medo não existe.
Tuesday, August 01, 2006
Wednesday, July 26, 2006
Um dia vou ser capaz
Um dia vou ser capaz...
De dar apenas o que mereces receber.
De contar apenas com o que podes dar.
De perceber que não és comigo
A projecção do que sou contigo.
Um dia vou ser capaz...
De não questionar as nossas diferenças.
De entender que o teu sentir
Não é decalcado do meu.
Um dia vou ser capaz...
De pedir-te absolutamente nada.
Um dia vou ser capaz...
De dar apenas o que mereces receber.
De contar apenas com o que podes dar.
De perceber que não és comigo
A projecção do que sou contigo.
Um dia vou ser capaz...
De não questionar as nossas diferenças.
De entender que o teu sentir
Não é decalcado do meu.
Um dia vou ser capaz...
De pedir-te absolutamente nada.
Monday, July 24, 2006
Somos mais felizes quanto mais “tolos” somos. Os problemas surgem quando temos noção do que se passa. Da maldade, do ridículo, da mentira, do escárnio, da deslealdade... Enfim, de tudo o que nos impede de sermos realmente felizes. Sem essa consciência, tudo é lindo. Tudo é fácil.
Conheci uma triste menina alegre, a Joana. Tal é a suplece com que encara tudo o que faz, costumam chamá-la de “Joana no País das Maravilhas”. Vive como se nada fosse consequência de nada. Ou melhor, sem a menor preocupação com o “devir” dos actos. Seus e das pessoas que a envolvem. Fala, ama, faz sexo e usa aditivos com a mesma leveza que respira. E segue a vida numa vertigem quase insana. Apenas a galope dos seus caprichos. Sem quaisquer filtros. Sem moral. E, por vezes, até sem respeito pelos códigos sociais.
Tão parecida comigo quando tinha dezoito anos. Tão diferente de mim agora, com trinta e sete e talvez um pouco menos feliz.
Não quero voltar a ser como a Joana, pateticamente encantada com a vida. Não pretendo alhear-me do mundo para poder viver nele. Não me apetece fazer essa regressão. O caminho faz-se caminhando. Para a frente. Ou noutra direcção qualquer. Mas nunca para trás.
A minha vontade é conciliar-me comigo. Espiritualmente. E, tal como o Siddartha de Herman Hess, encontrar um santuário dentro de mim. Um refúgio “abençoado” para recolher-me sempre que a vontade quiser. E a alma precisar. Só assim vou encontrar a via da serenidade. Quase não tenho dúvidas. Vou ser mais feliz quanto menos “tola” for.
Conheci uma triste menina alegre, a Joana. Tal é a suplece com que encara tudo o que faz, costumam chamá-la de “Joana no País das Maravilhas”. Vive como se nada fosse consequência de nada. Ou melhor, sem a menor preocupação com o “devir” dos actos. Seus e das pessoas que a envolvem. Fala, ama, faz sexo e usa aditivos com a mesma leveza que respira. E segue a vida numa vertigem quase insana. Apenas a galope dos seus caprichos. Sem quaisquer filtros. Sem moral. E, por vezes, até sem respeito pelos códigos sociais.
Tão parecida comigo quando tinha dezoito anos. Tão diferente de mim agora, com trinta e sete e talvez um pouco menos feliz.
Não quero voltar a ser como a Joana, pateticamente encantada com a vida. Não pretendo alhear-me do mundo para poder viver nele. Não me apetece fazer essa regressão. O caminho faz-se caminhando. Para a frente. Ou noutra direcção qualquer. Mas nunca para trás.
A minha vontade é conciliar-me comigo. Espiritualmente. E, tal como o Siddartha de Herman Hess, encontrar um santuário dentro de mim. Um refúgio “abençoado” para recolher-me sempre que a vontade quiser. E a alma precisar. Só assim vou encontrar a via da serenidade. Quase não tenho dúvidas. Vou ser mais feliz quanto menos “tola” for.
Thursday, July 20, 2006
Amor sem amor se apaga
“Amo-te muito, muito, muito...”
Ela deixou de acreditar na melodia das declarações dele. Quem ama cuida. Ele não fez isso. Nunca. Ela esperou pelos sinais. Do amor. E do respeito. Esperou tanto que ficou com dúvidas. Muitas dúvidas.
Um dia, acordou angustiada. Antes de sair – talvez para sempre – deixou-lhe uma nota. “Desculpa, mas amor alimenta-se de amor. Preciso de olhar para dentro de mim e perceber o que sinto. Pela primeira vez, questiono os meus sentimentos por ti. Era desleal ocultar-te isto.”
Pouco depois de chegar e aterrar no sofá, ele descobriu a mensagem. Leu-a vezes sem conta. Mas deixou-se ficar. Quieto. Ela não voltou mais.
“Amo-te muito, muito, muito...”
Ela deixou de acreditar na melodia das declarações dele. Quem ama cuida. Ele não fez isso. Nunca. Ela esperou pelos sinais. Do amor. E do respeito. Esperou tanto que ficou com dúvidas. Muitas dúvidas.
Um dia, acordou angustiada. Antes de sair – talvez para sempre – deixou-lhe uma nota. “Desculpa, mas amor alimenta-se de amor. Preciso de olhar para dentro de mim e perceber o que sinto. Pela primeira vez, questiono os meus sentimentos por ti. Era desleal ocultar-te isto.”
Pouco depois de chegar e aterrar no sofá, ele descobriu a mensagem. Leu-a vezes sem conta. Mas deixou-se ficar. Quieto. Ela não voltou mais.
Monday, July 10, 2006
Já disse hoje....
Já disse hoje que te amo muito, muito, muito?
E que és o ser da minha existência?
E que pensar em ti é tesão?
E que quando não estás fico num desassossego de alma?
E que as saudades vêm potenciar a enormidade da minha paixão?
E que durmo abraçada à almofada para te sentir mais perto?
E que beijo os meus braços fingindo serem os teus lábios a fazê-lo?
E que amar-te é o minha droga predilecta?
E que sou incapaz de passar às palavras a vertigem que me despertas?
E que fecho os olhos vezes sem conta para sentir o cheiro da tua nuca?
E que estou a contar os minutos de todas as horas à espera de ver-te chegar?
E que não acredito haver amor maior do que o nosso?
E que os meus olhos humedecem quando penso que quase nos perdemos?
E que graças a ti sou hoje uma pessoa melhor?
E que quero morrer antes do nosso amor acabar?
E que estou a chorar?
Já disse hoje que te amo muito, muito, muito?
E que és o ser da minha existência?
E que pensar em ti é tesão?
E que quando não estás fico num desassossego de alma?
E que as saudades vêm potenciar a enormidade da minha paixão?
E que durmo abraçada à almofada para te sentir mais perto?
E que beijo os meus braços fingindo serem os teus lábios a fazê-lo?
E que amar-te é o minha droga predilecta?
E que sou incapaz de passar às palavras a vertigem que me despertas?
E que fecho os olhos vezes sem conta para sentir o cheiro da tua nuca?
E que estou a contar os minutos de todas as horas à espera de ver-te chegar?
E que não acredito haver amor maior do que o nosso?
E que os meus olhos humedecem quando penso que quase nos perdemos?
E que graças a ti sou hoje uma pessoa melhor?
E que quero morrer antes do nosso amor acabar?
E que estou a chorar?
Friday, July 07, 2006
Thursday, June 29, 2006
Wednesday, June 28, 2006
O nosso amor
é um barco à deriva
num mar de tempestade
e ruma contra os ventos
em braços de ferro derrotados
o nosso amor
é um ser maldito e atormentado
à procura de tranquilidade
já quase a desistir
apesar da esperança pintada
no imenso verde dos meus olhos
o nosso amor
é um animal sedento e moribundo
sem nascentes por perto
seco, tão seco e desenganado
sob a antevisão da morte que chega.
é um barco à deriva
num mar de tempestade
e ruma contra os ventos
em braços de ferro derrotados
o nosso amor
é um ser maldito e atormentado
à procura de tranquilidade
já quase a desistir
apesar da esperança pintada
no imenso verde dos meus olhos
o nosso amor
é um animal sedento e moribundo
sem nascentes por perto
seco, tão seco e desenganado
sob a antevisão da morte que chega.
Este país não é para velhos
O meu espaço de sossego em dia de tpm é interrompido pelo “desbafo” (como diz uma amiga from London) da senhora que acaba de sentar-se à minha frente no metro.
- “… Este país não é para velhos, menina. Desculpe, não sei se é menina se é senhora. Como não usa aliança presumo que seja menina. Antigamente era mais fácil perceber. Agora está tudo misturado, meninas e senhoras.”
- “Sou menina.”, confirmo a sorrir. A minha mãe costuma dizer que hei-de ser velhinha sem querer ser senhora.
- “A vida tá cada vez pior... Uma desgraça. Esta coisa do euro veio estragar tudo... Imagine que agora, fazendo as contas, um molho de grelos custa quatrocentos e tal escudos! Antes, com esse dinheiro eu ia à mercearia e trazia dois ou três sacos de compras.
Sabe menina, tenho esta idade, sou doente e ainda preciso de trabalhar. Trabalho a dias em duas casas para poder comer e pagar os remédios. A minha reforma não dá p’ra nada. Este país não é para velhos, menina. Uma miséria, é o que é. Não sei onde é que isto vai parar. Do jeito que as coisas tão...”
O queixume continua caminho fora até que a interlocutora dá conta do meu silêncio.
- Tou p’ra aqui a falar, a falar e a menina nada. O que está a pensar?
-“Tanta coisa…”, respondo evasiva, tentando esboçar novo sorriso. Tanta coisa, para não responder “Não é da sua conta.” Ou “Desculpe mas hoje estou com pouca paciência para conversas sobre a crise. Além disso, a sua ladaínha não me deixa ler o livro que trago aberto na mesma página há quinze minutos.”
Ainda bem que filtrei o mau feitio. Passada a tpm, a abordagem da senhora ganha outra importância e converte-se no assunto desta crónica. Afinal, acredito que este país é também para velhos. No mínimo, vamos escutar o que têm a dizer.
Eu estou bem
"Eu estou bem, obrigada. A sério." Com esta e outras respostas evasivas tento proteger a auto-estima que me resta. Foi o golpe mais duro da minha existência. O amor da minha vida concluíu que eu não sou o amor da vida dele. Isto, dois dias depois de ter dito que me amava muito, muito, muito. Isto, decorridos três anos de uma história de amor avassaladora, feita de cumplicidade e paixão. Isto, a apenas um mês de assinarmos a escritura da casa dos nossos sonhos. Está a ser uma surpresa gigante. Ainda por cima, mal fundamentada (como acabam por ser todas as rupturas amorosas). Afinal, "temos pouco a ver um com o outro". É o que ele diz. Cheio de propriedade, como se evocasse a razão mais válida do mundo. Eu gosto de poesia. Ele prefere filmes de acção. Eu gosto de passear ao domingo. Ele prefere ficar em casa a fazer zapping. Eu gosto de beijinhos na boca. Ele prefere cafonés na cabeça. Eu gosto dele. Ele não sei de quem gosta. E se gosta. Aliás, sobre ele cada vez mais "sei que nada sei". Na verdade, deixei de ter certezas quando o assunto é amor... Mas tenho a impressão de que estamos a abrir mão de um romance irrepetível. Daqueles que nos fazem perceber que a felicidade é possível (por mais pirosa que possa soar). Daqueles em que são mais as razões que nos aproximam do que as que nos separam. Daqueles que nos levam a assumir sem pruridos as "almas gémeas" que somos. Porque somos. Ou fomos... Eu gosto de uma boa gargalhada. Ele faz-me rir. Eu gosto de sushi. Ele gosta de sashimi. Eu gosto de dormir abraçada. Ele gosta de abraçar-me. Eu gosto de fazer amor com ele. Ele gosta de fazer amor comigo. Eu gosto dele. Ele não sabe que gosta de mim. Um dia há-de perceber. Ou talvez não. Seja como fôr, já pouco importa. Estou desencantada. O meu coração balança entre o amor que ainda sinto e o desamor que já se instalou. Se calhar, é o curso natural das coisas. Se calhar, os meus sentimentos perderam elasticidade. De tanto serem postos à prova. Se calhar, o homem que amei este tempo todo nunca existiu. Se calhar, não passou de uma projecção feita à medida do amor que eu tinha para dar.
"Eu estou bem, obrigada. A sério." Com esta e outras respostas evasivas tento proteger a auto-estima que me resta. Foi o golpe mais duro da minha existência. O amor da minha vida concluíu que eu não sou o amor da vida dele. Isto, dois dias depois de ter dito que me amava muito, muito, muito. Isto, decorridos três anos de uma história de amor avassaladora, feita de cumplicidade e paixão. Isto, a apenas um mês de assinarmos a escritura da casa dos nossos sonhos. Está a ser uma surpresa gigante. Ainda por cima, mal fundamentada (como acabam por ser todas as rupturas amorosas). Afinal, "temos pouco a ver um com o outro". É o que ele diz. Cheio de propriedade, como se evocasse a razão mais válida do mundo. Eu gosto de poesia. Ele prefere filmes de acção. Eu gosto de passear ao domingo. Ele prefere ficar em casa a fazer zapping. Eu gosto de beijinhos na boca. Ele prefere cafonés na cabeça. Eu gosto dele. Ele não sei de quem gosta. E se gosta. Aliás, sobre ele cada vez mais "sei que nada sei". Na verdade, deixei de ter certezas quando o assunto é amor... Mas tenho a impressão de que estamos a abrir mão de um romance irrepetível. Daqueles que nos fazem perceber que a felicidade é possível (por mais pirosa que possa soar). Daqueles em que são mais as razões que nos aproximam do que as que nos separam. Daqueles que nos levam a assumir sem pruridos as "almas gémeas" que somos. Porque somos. Ou fomos... Eu gosto de uma boa gargalhada. Ele faz-me rir. Eu gosto de sushi. Ele gosta de sashimi. Eu gosto de dormir abraçada. Ele gosta de abraçar-me. Eu gosto de fazer amor com ele. Ele gosta de fazer amor comigo. Eu gosto dele. Ele não sabe que gosta de mim. Um dia há-de perceber. Ou talvez não. Seja como fôr, já pouco importa. Estou desencantada. O meu coração balança entre o amor que ainda sinto e o desamor que já se instalou. Se calhar, é o curso natural das coisas. Se calhar, os meus sentimentos perderam elasticidade. De tanto serem postos à prova. Se calhar, o homem que amei este tempo todo nunca existiu. Se calhar, não passou de uma projecção feita à medida do amor que eu tinha para dar.
Tuesday, June 27, 2006
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