Thursday, May 10, 2007
Não tenho escrito a falar de nós... Hoje apeteceu-me. Apeteceu-me dizer todos os clichés que moram no meu coração. Sabes porquê? Por sentir renovado o meu amor por ti. Por perceber que estás a crescer de alma. Por ter a certeza que és o molusco da minha concha (que é como quem diz o direito do meu avesso, hi,hi,hi ). Por te amar todos os dias um pouco mais.
Monday, April 16, 2007
Não sei se volto a encontrar-te Tatiana. Apenas sei que me tocaste o coração esta manhã. Tu que - por coincidência ou não – sofres, ou julgas sofrer, do coração. Tão pequenina, tão bonita, tão frágil. E tão carente... Foi assim que te encontrei na estação do metro. Ou melhor, foi assim que me encontraste. Estava eu à volta do rímel (aproveito normalmente a viagem para mascarar os traços de sono e cansaço) quando percebi que me observavas com um sorriso embevecido. Sorri-te de volta e continuei a cobrir as pestanas. Nem te considerei muito. Tão empenhada estava nas minhas vaidades.
Até que o metro chegou e fizeste questão de sentar-te ao meu lado. Contrariando assim a tua mãe, que optou pela bancada da ala oposta. Aí sim, percebi que estavas de olho em mim. E antes de chegarmos à estação seguinte, abordaste-me com timidez: “Está muito bonita...” Percebi que também desejavas ficar mais bonita. Quando estava a pôr brilho nos lábios, coloquei um pouco no teu indicador minúsculo para experimentares. Ficaste radiante. Foi quando perguntei como te chamavas e quantos anos tinhas. “Seis”, respondeste como se dissesses dezoito. Tão senhora de ti.
Continuei, entretanto, com o meu ritual de beleza. Mas tu querias atenção. Tocaste-me no braço e com algum embaraço declaraste: “Estou doente. Tenho um dói-dói no coração.” No mesmo instante, levantaste a camisolinha para exibir a bandeira da tua preocupação: uma espécie de penso cheio de fios a sair-te do peito. A “engenhoca”, aparatosa, deixou-me hirta e sem palavras. Pensei logo que a coisa era séria (só depois descobri que o aparelho era uma espécie de teste ambulante para medir os batimentos cardíacos das crianças).
Assim que recuperei o fôlego, perguntei se tinhas dores. Fizeste que não com a cabeça mas acrescentaste que tinhas desmaiado. Foi então que reparei o quão assustada estavas. Disse-te que desmaiar não era nenhum bicho de sete cabeças. Sem, no entanto, conseguir evitar o tom condescentente (perdoa-me a falta de jeito para lidar com a doença). Disse-te ainda que também perdia os sentidos às vezes. Sobretudo, quando estava muito calor. Foi o que me ocorreu dizer. Acho que consegui sossegar-te. Fiquei com essa impressão quando me deste a mãozinha e sorriste apaziaguada. Deixaste-me sem jeito até o final da viagem. Tão sem jeito que quando saímos, na estação terminal, decidi despedir-me e apressar o passo.
Fiz o resto do percurso a pensar em ti. E no teu medo de estar doente. E na tua vontade de partilhar isso com outra pessoa sem ser a tua mãe. Talvez quisesses poupá-la. Talvez tivesses necessidade de ouvir outra opinião. Talvez, e quero acreditar, tivesses visto em mim alguém capaz de acalmar o teu desassossego.
Desejo muito que estejas bem, Tatiana. Um beijinho.
Até que o metro chegou e fizeste questão de sentar-te ao meu lado. Contrariando assim a tua mãe, que optou pela bancada da ala oposta. Aí sim, percebi que estavas de olho em mim. E antes de chegarmos à estação seguinte, abordaste-me com timidez: “Está muito bonita...” Percebi que também desejavas ficar mais bonita. Quando estava a pôr brilho nos lábios, coloquei um pouco no teu indicador minúsculo para experimentares. Ficaste radiante. Foi quando perguntei como te chamavas e quantos anos tinhas. “Seis”, respondeste como se dissesses dezoito. Tão senhora de ti.
Continuei, entretanto, com o meu ritual de beleza. Mas tu querias atenção. Tocaste-me no braço e com algum embaraço declaraste: “Estou doente. Tenho um dói-dói no coração.” No mesmo instante, levantaste a camisolinha para exibir a bandeira da tua preocupação: uma espécie de penso cheio de fios a sair-te do peito. A “engenhoca”, aparatosa, deixou-me hirta e sem palavras. Pensei logo que a coisa era séria (só depois descobri que o aparelho era uma espécie de teste ambulante para medir os batimentos cardíacos das crianças).
Assim que recuperei o fôlego, perguntei se tinhas dores. Fizeste que não com a cabeça mas acrescentaste que tinhas desmaiado. Foi então que reparei o quão assustada estavas. Disse-te que desmaiar não era nenhum bicho de sete cabeças. Sem, no entanto, conseguir evitar o tom condescentente (perdoa-me a falta de jeito para lidar com a doença). Disse-te ainda que também perdia os sentidos às vezes. Sobretudo, quando estava muito calor. Foi o que me ocorreu dizer. Acho que consegui sossegar-te. Fiquei com essa impressão quando me deste a mãozinha e sorriste apaziaguada. Deixaste-me sem jeito até o final da viagem. Tão sem jeito que quando saímos, na estação terminal, decidi despedir-me e apressar o passo.
Fiz o resto do percurso a pensar em ti. E no teu medo de estar doente. E na tua vontade de partilhar isso com outra pessoa sem ser a tua mãe. Talvez quisesses poupá-la. Talvez tivesses necessidade de ouvir outra opinião. Talvez, e quero acreditar, tivesses visto em mim alguém capaz de acalmar o teu desassossego.
Desejo muito que estejas bem, Tatiana. Um beijinho.
Friday, March 30, 2007
Deixa-me ser eu
Não me faças dizer o que queres ouvir. Deixa-me falar as palavras que sinto. Ou sentir as palavras que falo. Dá espaço à minha autenticidade. Não me apetece ir por este ou aquele caminho simplesmente porque me levas pela mão. Preciso descobrir a direcção que me apetece seguir. Tenho de encontrá-la no meu coração. Entendes?
Não pretendo ser o objecto dos teus sonhos e dos meus pesadelos. Quero perceber se os teus sonhos caminham ao lado dos meus. Se coincidem. Ou colidem. E até que ponto podemos geri-los. Sem constrangimento nem dor para nenhuma das partes.
Desculpa a honestidade.
Preciso de tempo para assimilar o que se passa. Não vou dizer sim só para não te perder. E se digo sim e me perco eu? Tenho medo de descobrir um dia que sou uma personagem. Criada pelos teus caprichos. E os meus, onde ficam? Já pensaste que os oculto muitas vezes? Porque não sou capaz de ferir-te. E porque o amor que te sinto os torna quase dispensáveis. E até ridículos.
Não me faças erguer uma muralha à nossa volta. Ela pode ficar tão alta. E eu deixar de ver-te.
Não me faças dizer o que queres ouvir. Deixa-me falar as palavras que sinto. Ou sentir as palavras que falo. Dá espaço à minha autenticidade. Não me apetece ir por este ou aquele caminho simplesmente porque me levas pela mão. Preciso descobrir a direcção que me apetece seguir. Tenho de encontrá-la no meu coração. Entendes?
Não pretendo ser o objecto dos teus sonhos e dos meus pesadelos. Quero perceber se os teus sonhos caminham ao lado dos meus. Se coincidem. Ou colidem. E até que ponto podemos geri-los. Sem constrangimento nem dor para nenhuma das partes.
Desculpa a honestidade.
Preciso de tempo para assimilar o que se passa. Não vou dizer sim só para não te perder. E se digo sim e me perco eu? Tenho medo de descobrir um dia que sou uma personagem. Criada pelos teus caprichos. E os meus, onde ficam? Já pensaste que os oculto muitas vezes? Porque não sou capaz de ferir-te. E porque o amor que te sinto os torna quase dispensáveis. E até ridículos.
Não me faças erguer uma muralha à nossa volta. Ela pode ficar tão alta. E eu deixar de ver-te.
Friday, March 23, 2007
Que coisa!!!!!!
Eu não sou racista. Nem xenófoba. Mas já não suporto a abordagem das ciganas romenas. Parece uma peste. Alastra-se por tudo o que é sítio. A cada esquina por onde passo lá está um exemplar desta triste figura. Com ar andrajoso e ladaínha perturbante. Tal e qual uma hiena a chorar. Ou a rir. Nem sei bem. É tão enervante que em vez de me comover desperta-me raiva e aversão. Que Deus me perdoe. Mas é de facto o que sinto.
No metro, é raro o dia em que não entra uma com o recém-nascido (dela ou emprestado) a tiracolo e quase não descola. Para arredar não basta fazermos cara feia. Temos que dizer numa inflexão arrogante que não lhes vamos dar nada.
Também pelas ruas da baixa não é raro aquela que nos impinge pensos rápidos a pretexto de uma moeda. Com a reza habitual. Parece que frequentaram todas a mesma catequese. Sei lá.
Pior ainda, junto aos semáforos (onde aparecem normalmente aos pares) mandam-nos água com sabão para cima do pára-brisas. Para além de nos deixarem o automóvel gorduroso, ainda exigem pagamento pelo mau serviço prestado. Isto depois de termos explicado com as três letras que NÃO. Que não estávamos interessados na dita “lavagem”.
Às vezes, apetece bater-lhes. Até mais não.
Que povo mais sem orgulho! Não querendo estereotipar, obviamente.
Eu não sou racista. Nem xenófoba. Mas já não suporto a abordagem das ciganas romenas. Parece uma peste. Alastra-se por tudo o que é sítio. A cada esquina por onde passo lá está um exemplar desta triste figura. Com ar andrajoso e ladaínha perturbante. Tal e qual uma hiena a chorar. Ou a rir. Nem sei bem. É tão enervante que em vez de me comover desperta-me raiva e aversão. Que Deus me perdoe. Mas é de facto o que sinto.
No metro, é raro o dia em que não entra uma com o recém-nascido (dela ou emprestado) a tiracolo e quase não descola. Para arredar não basta fazermos cara feia. Temos que dizer numa inflexão arrogante que não lhes vamos dar nada.
Também pelas ruas da baixa não é raro aquela que nos impinge pensos rápidos a pretexto de uma moeda. Com a reza habitual. Parece que frequentaram todas a mesma catequese. Sei lá.
Pior ainda, junto aos semáforos (onde aparecem normalmente aos pares) mandam-nos água com sabão para cima do pára-brisas. Para além de nos deixarem o automóvel gorduroso, ainda exigem pagamento pelo mau serviço prestado. Isto depois de termos explicado com as três letras que NÃO. Que não estávamos interessados na dita “lavagem”.
Às vezes, apetece bater-lhes. Até mais não.
Que povo mais sem orgulho! Não querendo estereotipar, obviamente.
Wednesday, March 21, 2007
Sinto que está na hora de esclarecer quem me visita. Os textos que aqui tenho nem sempre são o espelho da minha alma. Pelo menos, do estado de alma no momento que escrevo.
Nem sempre ilustro a realidade que estou a experienciar. Muitas vezes, assumo emoções “emprestadas”. Dos amigos, amigas e pessoas que vou conhecendo. Claro que não falo do que não sei. Claro que as lágrimas e os sorrisos de que falo também são ou foram meus. Em contextos idênticos ou distintos dos que aqui exponho.
Escrevo sempre na primeira pessoa. Assim comungo melhor da situação. Assim, visto-a plenamente. Assim ponho o coração nas palavras. Mas longe de mim ludibriar-vos. Nem sempre sou eu a despir-me...
Nem sempre ilustro a realidade que estou a experienciar. Muitas vezes, assumo emoções “emprestadas”. Dos amigos, amigas e pessoas que vou conhecendo. Claro que não falo do que não sei. Claro que as lágrimas e os sorrisos de que falo também são ou foram meus. Em contextos idênticos ou distintos dos que aqui exponho.
Escrevo sempre na primeira pessoa. Assim comungo melhor da situação. Assim, visto-a plenamente. Assim ponho o coração nas palavras. Mas longe de mim ludibriar-vos. Nem sempre sou eu a despir-me...
Friday, March 16, 2007
Nunca mais escrevi. Escrever é confrontar-me comigo. Com as minhas “verdades”. Talvez por isso, não me tem apetecido escrever. Percebo pouco de psicanálise, mas a experiência diz-me que às vezes mais vale deixar as emoções sossegadas. No canto delas. Não digo adormecidas. Mas arrumadas. Assim, umas não interferem nas outras...
Tuesday, March 06, 2007
Não deixes morrer o amor-perfeito
Tenho uma coisa para dizer-te. A minha plantinha não é sintética, amor. Tal como a tua, precisa de cuidados regulares. Se te esqueces disso, ela sucumbe.
Por estes dias, não a tens regado. Ela está sedenta. Nem a tens mimado. Ela está desnorteada. Não tens olhado para ela. Está moribunda.
Tenho uma coisa para dizer-te. A minha plantinha não é sintética, amor. Tal como a tua, precisa de cuidados regulares. Se te esqueces disso, ela sucumbe.
Por estes dias, não a tens regado. Ela está sedenta. Nem a tens mimado. Ela está desnorteada. Não tens olhado para ela. Está moribunda.
Monday, February 12, 2007
Suficientemente feliz
“És feliz?” perguntas-me hoje. “Sou, sou suficientemente feliz”, respondo logo. Depressa. Temendo que a hesitação me atraiçoe. Temendo que me leias o tom de voz. Temendo que me adivinhes tremendamente triste. E concluas que o nosso amor não chega para me fazer feliz. Ou que o nosso amor me deixa neste estado letárgico de tristeza. Hoje não sei responder com toda a verdade a essa pergunta. Hoje até uma parte da verdade me escapa. Não sei, amor. Acho que suficientemente feliz até não é mau. Já me senti pior. E já quase me esqueci de algum dia me ter sentido melhor. Não sei bem em que lugar me encontro na escala da felicidade. Nunca pensei muito sobre isso. Se calhar prefiro nem saber. Mais vale deixar a ferida sarar ao invés de tirar-lhe a crosta. Ou então (quem sabe?) fazer outro curativo...
Mas tu insistes. “Porque deixaste de falar comigo?” Desfaço em muitos bocados um lenço de papel, enquanto penso numa resposta que fira menos os teus sentidos. Nada do que me ocorre se afigura adequado. Que devo responder-te? Que se me calaram as palavras. Que já não tenho coisas bonitas para dizer-te. Que - acredita - não queres ouvir o que tenho para falar. Que se falar não vou calar-me durante muito tempo. Que afinal são tantas as palavras que tenho para dizer. E dizer-te. Tantas. Atabalhoadas de tantas.
Impaciente com o meu silêncio, voltas à carga: “Antes contavas-me tudo...” É verdade, houve tempos em que simplesmente vomitava palavras. A maior parte das vezes sem as filtrar. Sem as pensar. Era tal a incontinência que falava por cima dos restantes interlocutores. Tu não eras excepção. Tão obstinada estava em despejar ideias que mal te escutava. E quando o fazia era sempre à procura de mote para a minha ladaínha.
Até que houve um dia que me chamaste à atenção. Lembras-te? Disseste-me que não te ouvia? Que nem olhava nos teus olhos quando falavas? Tinhas razão, amor. Toda a razão, concluí, depois de uma breve intro e retrospectiva. Jurei então - a ti e a mim - que ia mudar. Que ia passar a escutar-te. E a escutar-me. E, por isso, a falar menos. Ou melhor, a dizer menos palavras. Nem que tivesse de tomar ansiolíticos para acalmar tamanha verborreia. Não foi preciso recorrer a tais métodos. Aos poucos, aprendi simplesmente a descentralizar o meu mundo. A expandir para fora do umbigo. A olhar à volta. Devo isso a ti, amor. É verdade. Ensinaste-me a olhar à volta. A sair da minha concha de egoísmo e vaidade.
E porque os teus olhos insistem numa explicação, concedo: “Falava muito mas dizia pouco. Na verdade, foram muitas as palavras que reprimi... Mesmo no tempo em que não me calava. Falava, falava, falava. Para ocultar o medo de falar. Entendes?” Olhas-me surpreendido. Como se me visses pela primeira vez. Como se, de repente, me descobrisses estranha. Vou ao encontro da tua expressão incrédula e, com um abraço, peço que me deixes em paz. Que não ouses despir-me a alma.
O que me apetece mesmo é chorar. Em alta voz. Chorar simplesmente. Chorar como uma criança que se perdeu dos pais e assustou-se. Chorar o choro perdido. Chorar o medo de perder-te. Urge saber se estamos a tempo de salvar o diálogo. E o amor. Não digo nada. Não sou capaz. Invade-me uma amnésia de palavras. Como te amo! Por que deixámos crescer o fosso entre nós? Faz-me recuperar a memória do tempo em que amávamos como se não houvesse outro dia. Lembras-te de quando nos sentíamos capazes de tocar o céu? Quando achávamos que ia ser para sempre. Que o encantamento era eterno. E ai de quem se atrevesse a questionar o rosa da atmosfera. Como nos bastavamos! O resto era acessório. Mesmo quando não era.
Entre a divagação e o saudosismo, deixo escapar: “Não quero perder-te...” E porque em ti os olhos brilham e o rosto sorri, fico com a certeza da reciprocidade do amor. E percebo no mesmo instante o quanto sou feliz. Mais do que o suficiente.
“És feliz?” perguntas-me hoje. “Sou, sou suficientemente feliz”, respondo logo. Depressa. Temendo que a hesitação me atraiçoe. Temendo que me leias o tom de voz. Temendo que me adivinhes tremendamente triste. E concluas que o nosso amor não chega para me fazer feliz. Ou que o nosso amor me deixa neste estado letárgico de tristeza. Hoje não sei responder com toda a verdade a essa pergunta. Hoje até uma parte da verdade me escapa. Não sei, amor. Acho que suficientemente feliz até não é mau. Já me senti pior. E já quase me esqueci de algum dia me ter sentido melhor. Não sei bem em que lugar me encontro na escala da felicidade. Nunca pensei muito sobre isso. Se calhar prefiro nem saber. Mais vale deixar a ferida sarar ao invés de tirar-lhe a crosta. Ou então (quem sabe?) fazer outro curativo...
Mas tu insistes. “Porque deixaste de falar comigo?” Desfaço em muitos bocados um lenço de papel, enquanto penso numa resposta que fira menos os teus sentidos. Nada do que me ocorre se afigura adequado. Que devo responder-te? Que se me calaram as palavras. Que já não tenho coisas bonitas para dizer-te. Que - acredita - não queres ouvir o que tenho para falar. Que se falar não vou calar-me durante muito tempo. Que afinal são tantas as palavras que tenho para dizer. E dizer-te. Tantas. Atabalhoadas de tantas.
Impaciente com o meu silêncio, voltas à carga: “Antes contavas-me tudo...” É verdade, houve tempos em que simplesmente vomitava palavras. A maior parte das vezes sem as filtrar. Sem as pensar. Era tal a incontinência que falava por cima dos restantes interlocutores. Tu não eras excepção. Tão obstinada estava em despejar ideias que mal te escutava. E quando o fazia era sempre à procura de mote para a minha ladaínha.
Até que houve um dia que me chamaste à atenção. Lembras-te? Disseste-me que não te ouvia? Que nem olhava nos teus olhos quando falavas? Tinhas razão, amor. Toda a razão, concluí, depois de uma breve intro e retrospectiva. Jurei então - a ti e a mim - que ia mudar. Que ia passar a escutar-te. E a escutar-me. E, por isso, a falar menos. Ou melhor, a dizer menos palavras. Nem que tivesse de tomar ansiolíticos para acalmar tamanha verborreia. Não foi preciso recorrer a tais métodos. Aos poucos, aprendi simplesmente a descentralizar o meu mundo. A expandir para fora do umbigo. A olhar à volta. Devo isso a ti, amor. É verdade. Ensinaste-me a olhar à volta. A sair da minha concha de egoísmo e vaidade.
E porque os teus olhos insistem numa explicação, concedo: “Falava muito mas dizia pouco. Na verdade, foram muitas as palavras que reprimi... Mesmo no tempo em que não me calava. Falava, falava, falava. Para ocultar o medo de falar. Entendes?” Olhas-me surpreendido. Como se me visses pela primeira vez. Como se, de repente, me descobrisses estranha. Vou ao encontro da tua expressão incrédula e, com um abraço, peço que me deixes em paz. Que não ouses despir-me a alma.
O que me apetece mesmo é chorar. Em alta voz. Chorar simplesmente. Chorar como uma criança que se perdeu dos pais e assustou-se. Chorar o choro perdido. Chorar o medo de perder-te. Urge saber se estamos a tempo de salvar o diálogo. E o amor. Não digo nada. Não sou capaz. Invade-me uma amnésia de palavras. Como te amo! Por que deixámos crescer o fosso entre nós? Faz-me recuperar a memória do tempo em que amávamos como se não houvesse outro dia. Lembras-te de quando nos sentíamos capazes de tocar o céu? Quando achávamos que ia ser para sempre. Que o encantamento era eterno. E ai de quem se atrevesse a questionar o rosa da atmosfera. Como nos bastavamos! O resto era acessório. Mesmo quando não era.
Entre a divagação e o saudosismo, deixo escapar: “Não quero perder-te...” E porque em ti os olhos brilham e o rosto sorri, fico com a certeza da reciprocidade do amor. E percebo no mesmo instante o quanto sou feliz. Mais do que o suficiente.
Tuesday, January 23, 2007
Tem dó
Sabes amor, eu também estou um pouco deprimida. A diferença é que estou a reagir com todas as minhas forças. E sabes porquê? Porque não me apetece cavar uma fossa ainda maior do que a que me encontro.
Quando estou assim, recorro quase sempre ao mesmo exercício mental. Penso nos motivos que tenho para ser feliz. E são muitos, acredita...
Quanto a ti, pensa por exemplo que és um homem saudável, inteligente, interessante, amado, respeitado. E lindo. Quase me esquecia de sublinhar. Lindo. E tens uma carreira que muita gente cobiça, uma casa fantástica e (perdoa a imodéstia) uma mulher linda (que até pode ser de feia).
Ocupação para esta tarde?! Quantas queres? Podes ler um pouco do livro, aproveitar e saber mais sobre o curso de meditação, fazer zapping e ouvir música, fazer uns downloads porno ou de outra matéria qualquer, sair e apreciar a vista e a brisa da marginal ou dormir apenas. Queres mais? Então, inventa. Puxa pela cabeça. Reage. Mas não me faças má cara. Porque isso dói. E dessa forma a minha depressão fica mesmo feia. Pior do que a tua. Acredita.
Sabes amor, eu também estou um pouco deprimida. A diferença é que estou a reagir com todas as minhas forças. E sabes porquê? Porque não me apetece cavar uma fossa ainda maior do que a que me encontro.
Quando estou assim, recorro quase sempre ao mesmo exercício mental. Penso nos motivos que tenho para ser feliz. E são muitos, acredita...
Quanto a ti, pensa por exemplo que és um homem saudável, inteligente, interessante, amado, respeitado. E lindo. Quase me esquecia de sublinhar. Lindo. E tens uma carreira que muita gente cobiça, uma casa fantástica e (perdoa a imodéstia) uma mulher linda (que até pode ser de feia).
Ocupação para esta tarde?! Quantas queres? Podes ler um pouco do livro, aproveitar e saber mais sobre o curso de meditação, fazer zapping e ouvir música, fazer uns downloads porno ou de outra matéria qualquer, sair e apreciar a vista e a brisa da marginal ou dormir apenas. Queres mais? Então, inventa. Puxa pela cabeça. Reage. Mas não me faças má cara. Porque isso dói. E dessa forma a minha depressão fica mesmo feia. Pior do que a tua. Acredita.
Friday, January 19, 2007
É a vergonha da minha cara
“Que horror, amiga! Não arranjavas um saco menos mexeruca para trazer no metro? Esse é a vergonha da minha cara.” O reparo é-me dirigido pela minha parceira de viagens. Isto porque de volta a casa trago um saco de compras do Minipreço.
“Qual é o problema? A sério que não percebo o espanto. O saco é um horror porquê?”, reajo com pouca paciência para observações deste teor. Já a refazer-me do desconforto instalado, ela conclui: “Ainda se fosse um saco do Harrod’s ou do El Corte Inglés...”
É neste momento que me cai tudo. Tudo não, graças a Deus. A Ele e a aos coadjuvantes anti-gravidade a que em boa hora recorro. Mas a moral cai-me a pique. Custa-me entender que uma pessoa adulta, inteligente e bem formada seja tão preconceituosa. No entanto, a observação da minha amiga fica a moer-me o juízo nos segundos que se seguem. De tal maneira que vacilo para os meus botões. Chego a equacionar enfiar o saquinho de compras na mochila do ginásio. Imagino olhares de escárnio e expressões de mal dizer por parte dos outros passageiros. Felizmente, a “travadinha” dura apenas breves momentos. Num abrir e fechar de olhos, volto à realidade. E sinto remorsos por quase me ter rendido aos argumentos da minha amiga. Porque não carregar o saco do Minipreço? Lidl? Feira Nova? Pingo Doce? Continente? È natural que me esteja a falhar um ou outro. Mas que fique claro: a intenção não é ferir susceptibilidades nem fazer publicidade (pela qual não sou paga). Ninguém passa sem as compras de supermercado. Seja ele qual for. E mais importante do que marcas ou logotipos é a escolha dos produtos. O facto de ter colocado isso em questão - ainda que por míseros segundos - leva-me a dizer em jeito de mea culpa: É a vergonha da minha cara!
Monday, January 15, 2007
O preço do mal-entendido
Uma frase inacabada, uma palavra mal interpretada, uma desconfiança infundada, um olhar cruzado, um sentido de humor trocado... O mais pequeno gesto pode criar o mal entendido. E o mal entendido faz normalmente duas "vítimas": o que entendeu mal e o que não se fez entender. Das duas uma: um dos dois enxota o orgulho e fala do assunto. Ou então a coisa pode crescer e assumir proporções estapafúrdias. E, neste caso, perdem ambos. No mínimo, ficam a perder o esclarecimento da situação.
Este preâmbulo para vos dizer que estou a protagonizar um mal entendido. Dos grandes, acho eu. Primeiro, decidi ignorá-lo. Pensei: "Como não devo não temo e tudo se há-de compôr". Assim não foi. Acontece que se operou um efeito de bola de neve a rebolar pela montanha abaixo. O que era um pequeno desconforto transformou-se num ódio visceral.
A situação é de tal ordem que já não consigo encará-la como se nada fosse. E se questionar faz de mim fraca, então vou ser muito fraca. Porque tenho muitas perguntas a fazer. Ou, se calhar, apenas uma. Tudo depende da resposta ou respostas que vou escutar. Às cegas é que não posso permanecer. Até porque sou curiosa. E quero saber o motivo de tamanho alvoroço.
Está decidido. Amanhã ponho um ponto final nesta história. É que, mal ou bem, eu só quero entender.
Uma frase inacabada, uma palavra mal interpretada, uma desconfiança infundada, um olhar cruzado, um sentido de humor trocado... O mais pequeno gesto pode criar o mal entendido. E o mal entendido faz normalmente duas "vítimas": o que entendeu mal e o que não se fez entender. Das duas uma: um dos dois enxota o orgulho e fala do assunto. Ou então a coisa pode crescer e assumir proporções estapafúrdias. E, neste caso, perdem ambos. No mínimo, ficam a perder o esclarecimento da situação.
Este preâmbulo para vos dizer que estou a protagonizar um mal entendido. Dos grandes, acho eu. Primeiro, decidi ignorá-lo. Pensei: "Como não devo não temo e tudo se há-de compôr". Assim não foi. Acontece que se operou um efeito de bola de neve a rebolar pela montanha abaixo. O que era um pequeno desconforto transformou-se num ódio visceral.
A situação é de tal ordem que já não consigo encará-la como se nada fosse. E se questionar faz de mim fraca, então vou ser muito fraca. Porque tenho muitas perguntas a fazer. Ou, se calhar, apenas uma. Tudo depende da resposta ou respostas que vou escutar. Às cegas é que não posso permanecer. Até porque sou curiosa. E quero saber o motivo de tamanho alvoroço.
Está decidido. Amanhã ponho um ponto final nesta história. É que, mal ou bem, eu só quero entender.
Friday, January 12, 2007
As pessoas más são também medrosas
Tenho vontade de publicar os meus textos. Apetece-me mesmo. Não sei se por narcisismo ou apenas por uma espécie de necessidade de ser embalada. Na verdade, as opiniões de quem me lê são de grande importância para mim. Só para terem noção, visito o blog três vezes por dia. Pelo menos. E sempre que espreito o sinal de nova mensagem, o meu coração arrebata. Nos milésimos de segundo que antecedem a leitura, incho de alegria. E vaidade. É claro que a sensação é efémera. A maior parte das vezes. Sobretudo, quando logo a seguir me deparo com textos mesquinhos e mal intencionados. Desses recebo muitos. Não muitos. Alguns. Sempre anónimos, é claro. Porque as pessoas más não são apenas más. São também cobardes e medrosas. Merdosas também.
Mas estas coisas acontecem. “Quem anda à chuva molha-se.” Já dizia a minha avó (apesar de iletrada foi das pessoas mais sábias que conheci). E quando nos molhamos podemos até ficar doentes. Pois é. Da forma que me tenho exposto, tive mesmo de ganhar anticorpos.
Agora, algumas injecções depois, sinto o sistema imunitário reforçado. Não há maldade que me cause medo. Antes pelo contrário. Permite-me sempre uma segunda leitura. Já quase tenho elementos para redigir um tratado. Sobre a pobreza de espírito. Que, infelizmente, é mais comum do que a nobreza. Enfim, já estou de novo a fazer o que melhor sei. Desconversar. Descarrilar do tema a que me proponho inicialmente. Viva a associação livre de ideias...
Tenho vontade de publicar os meus textos. Apetece-me mesmo. Não sei se por narcisismo ou apenas por uma espécie de necessidade de ser embalada. Na verdade, as opiniões de quem me lê são de grande importância para mim. Só para terem noção, visito o blog três vezes por dia. Pelo menos. E sempre que espreito o sinal de nova mensagem, o meu coração arrebata. Nos milésimos de segundo que antecedem a leitura, incho de alegria. E vaidade. É claro que a sensação é efémera. A maior parte das vezes. Sobretudo, quando logo a seguir me deparo com textos mesquinhos e mal intencionados. Desses recebo muitos. Não muitos. Alguns. Sempre anónimos, é claro. Porque as pessoas más não são apenas más. São também cobardes e medrosas. Merdosas também.
Mas estas coisas acontecem. “Quem anda à chuva molha-se.” Já dizia a minha avó (apesar de iletrada foi das pessoas mais sábias que conheci). E quando nos molhamos podemos até ficar doentes. Pois é. Da forma que me tenho exposto, tive mesmo de ganhar anticorpos.
Agora, algumas injecções depois, sinto o sistema imunitário reforçado. Não há maldade que me cause medo. Antes pelo contrário. Permite-me sempre uma segunda leitura. Já quase tenho elementos para redigir um tratado. Sobre a pobreza de espírito. Que, infelizmente, é mais comum do que a nobreza. Enfim, já estou de novo a fazer o que melhor sei. Desconversar. Descarrilar do tema a que me proponho inicialmente. Viva a associação livre de ideias...
Wednesday, January 10, 2007
O que faço à semente que tenho dentro de mim?
Despenalizar ou não a prática do aborto? A questão está na ordem do dia. Quem me conhece sabe perfeitamente o que penso sobre o assunto. Enquanto mulher nem imagino assumir outra posição. Enoja-me tanta hipocrisia. Em nome da moral e do direito à vida (mas que vida?! E a partir de quando a vida é vida?).
Neste momento, confesso, a despenalização do aborto é a última das minhas preocupações. Foi apenas uma forma de introduzir-vos o dilema em que estou. Procuro desesperadamente uma resposta confortável à pergunta que me atormenta na última semana. O que faço à semente que tenho dentro de mim?
Noutros tempos, a resposta seria fácil. E pronta. Hoje, tudo é diferente. Faz-me falta ser mãe. Melhor dizendo: vai fazer-me falta ser mãe. Dito assim, parece um cliché de segunda categoria ( como se houvesse clichés de primeira!). Na verdade, sinto que estou no dead line da minha existência fértil. A natureza parece estar a testar-me. Uma vez mais. E não sei se me vai propiciar outras oportunidades. Vivo o meu estádio mais maduro. É agora ou nunca.
Vai ser nunca. Já percebi. E tenho pena. O relógio biológico é impaciente e não espera. Tem um timing estanque. Que, infelizmente, não coincide com o do meu quotidiano. Só por isso (desajustes de timing), nos tempos mais próximos ser mãe é impensável. Ele há muitas razões... Ausência das condições materiais indespensáveis à maternidade. E falta de backstage familiar. Sim, porque os meus pais estão longe fisicamente. Não posso contar com o colinho deles. Nem eu nem o bebé que gostaria de gerar.
Não é só isso. Como vou encaixar mais um ser na minha vida? Tão cheia de falta de tempo. Tão cheia de coisas minhas. Tão cheia de coisas nossas (minhas e do meu amor). Como ganho latitude para amar a três? Ainda não sou capaz de responder às perguntas que se digladiam entre o coração e a razão. Enquanto isto, só há uma saída para a semente que tenho dentro de mim. Deixá-la ir ao encontro do mar. Imenso. Azul. Infinito.
Despenalizar ou não a prática do aborto? A questão está na ordem do dia. Quem me conhece sabe perfeitamente o que penso sobre o assunto. Enquanto mulher nem imagino assumir outra posição. Enoja-me tanta hipocrisia. Em nome da moral e do direito à vida (mas que vida?! E a partir de quando a vida é vida?).
Neste momento, confesso, a despenalização do aborto é a última das minhas preocupações. Foi apenas uma forma de introduzir-vos o dilema em que estou. Procuro desesperadamente uma resposta confortável à pergunta que me atormenta na última semana. O que faço à semente que tenho dentro de mim?
Noutros tempos, a resposta seria fácil. E pronta. Hoje, tudo é diferente. Faz-me falta ser mãe. Melhor dizendo: vai fazer-me falta ser mãe. Dito assim, parece um cliché de segunda categoria ( como se houvesse clichés de primeira!). Na verdade, sinto que estou no dead line da minha existência fértil. A natureza parece estar a testar-me. Uma vez mais. E não sei se me vai propiciar outras oportunidades. Vivo o meu estádio mais maduro. É agora ou nunca.
Vai ser nunca. Já percebi. E tenho pena. O relógio biológico é impaciente e não espera. Tem um timing estanque. Que, infelizmente, não coincide com o do meu quotidiano. Só por isso (desajustes de timing), nos tempos mais próximos ser mãe é impensável. Ele há muitas razões... Ausência das condições materiais indespensáveis à maternidade. E falta de backstage familiar. Sim, porque os meus pais estão longe fisicamente. Não posso contar com o colinho deles. Nem eu nem o bebé que gostaria de gerar.
Não é só isso. Como vou encaixar mais um ser na minha vida? Tão cheia de falta de tempo. Tão cheia de coisas minhas. Tão cheia de coisas nossas (minhas e do meu amor). Como ganho latitude para amar a três? Ainda não sou capaz de responder às perguntas que se digladiam entre o coração e a razão. Enquanto isto, só há uma saída para a semente que tenho dentro de mim. Deixá-la ir ao encontro do mar. Imenso. Azul. Infinito.
Thursday, December 28, 2006
A metade que faz de mim um todo
Abençoada. É assim que me sinto hoje. Sempre evitei exprimir com as letras todas os meus estados de alma. Tanto de alegria como de tristeza. Por pudor. Mas também porque aprendi que assim devia ser.
Sempre ouvi: “Não fales da tua dor porque há sempre alguém que se vangloria.” Ou: “Não abras a tua felicidade porque desperta inveja e maus sentimentos.”
Confesso que estes dogmas me acompanham desde que me entendo como ser que sente e pensa. E determinam, de certa maneira, a minha forma de estar. Mas acho que já é tempo de os mandar dar uma volta. Nem que seja por um bocadinho. De vez em quando.
Se estou feliz, que mal tem em gritar ao mundo? O propósito não é afrontar ninguém. É mais o de acender uma luzinha nos corações dos que me ouvem...
E hoje apetece-me dizer com toda a sonoridade. SINTO-ME ABENÇOADA. ENCONTREI A METADE QUE FAZ DE MIM UM TODO.
Abençoada. É assim que me sinto hoje. Sempre evitei exprimir com as letras todas os meus estados de alma. Tanto de alegria como de tristeza. Por pudor. Mas também porque aprendi que assim devia ser.
Sempre ouvi: “Não fales da tua dor porque há sempre alguém que se vangloria.” Ou: “Não abras a tua felicidade porque desperta inveja e maus sentimentos.”
Confesso que estes dogmas me acompanham desde que me entendo como ser que sente e pensa. E determinam, de certa maneira, a minha forma de estar. Mas acho que já é tempo de os mandar dar uma volta. Nem que seja por um bocadinho. De vez em quando.
Se estou feliz, que mal tem em gritar ao mundo? O propósito não é afrontar ninguém. É mais o de acender uma luzinha nos corações dos que me ouvem...
E hoje apetece-me dizer com toda a sonoridade. SINTO-ME ABENÇOADA. ENCONTREI A METADE QUE FAZ DE MIM UM TODO.
Thursday, December 14, 2006
Falta um grande chocolate na minha vida
Estou tão triste que não consigo segurar as lágrimas nos olhos. Escorrem-me, galopantes, pelo rosto. Salgadas. Quentes. Corrosivas. Ferem-me sem dó a pele sensível. Mas, à medida que brotam, a dor que mal seguro torna-se menos doída. Ainda assim, mantém-se no limiar do suportável. Ou seja, quase a resvalar para o desespero.
Tudo isto porque sou pateticamente sentimental. Sou, de resto, como todas as mulheres (e homens) que sofrem de amor. Da falta dele, melhor dizendo. Corro desenfreada atrás daquilo que teima em fugir. E recuso aceitar o curso natural das coisas. Recuso admitir que as emoções são efémeras. E que estar só não é necessariamente mau. E não é mesmo. Pode até ser gratificante. Sobretudo, pelo espaço gigantesco que inaugura nas nossas vidas. Espaço de ócio e lazer. Estou farta de saber que assim é. Mas, na verdade, comporto-me como se não soubesse. Talvez a auto-comiseração seja o único estádio que me é permitido experimentar no momento. Prefiro acreditar que não. Mas, entretanto, nada tenho feito para contrariar esta inércia. E deixo-me estar cheia de pena.
Tanta pena que me esqueço de tirar proveito da coisa boa que é ser senhora de mim o tempo todo. E comer todos os chocolates que a alma pede sem temer que as ancas cresçam. E jantar uma sandes simplesmente porque me apetece ou estou sem vontade de cozinhar. E descurar a depilação sem me sentir o lobisomen ou recear que me franzam o sobrolho em sinal de protesto. E ser dona do comando da televisão para ver os disparates que entender sem negociar nem deixar ninguém amuado. E deitar-me à hora que quiser sem que uma voz (por vezes impertinente) me chame para a cama. E flirtar em todas as festas e encontros sociais sem que a culpa tome conta de mim. E não ter de esclarecer mal entendidos quase todos os dias a fim de acalmar as susceptibilidades do outro. E vestir pijaminhas quando o frio chega sem querer saber se é ou não um verdadeiro anti-tusa.
E tantos outros pequenos e grandes confortos aguardam que os desfrute. É o que vou fazer. Assim que conseguir apaziguar as feridas do meu amor próprio. Para já, vou comprar um grande chocolate e comê-lo todo sozinha. Até sentir a garganta a arder. E o coração encher-se de doçura.
Estou tão triste que não consigo segurar as lágrimas nos olhos. Escorrem-me, galopantes, pelo rosto. Salgadas. Quentes. Corrosivas. Ferem-me sem dó a pele sensível. Mas, à medida que brotam, a dor que mal seguro torna-se menos doída. Ainda assim, mantém-se no limiar do suportável. Ou seja, quase a resvalar para o desespero.
Tudo isto porque sou pateticamente sentimental. Sou, de resto, como todas as mulheres (e homens) que sofrem de amor. Da falta dele, melhor dizendo. Corro desenfreada atrás daquilo que teima em fugir. E recuso aceitar o curso natural das coisas. Recuso admitir que as emoções são efémeras. E que estar só não é necessariamente mau. E não é mesmo. Pode até ser gratificante. Sobretudo, pelo espaço gigantesco que inaugura nas nossas vidas. Espaço de ócio e lazer. Estou farta de saber que assim é. Mas, na verdade, comporto-me como se não soubesse. Talvez a auto-comiseração seja o único estádio que me é permitido experimentar no momento. Prefiro acreditar que não. Mas, entretanto, nada tenho feito para contrariar esta inércia. E deixo-me estar cheia de pena.
Tanta pena que me esqueço de tirar proveito da coisa boa que é ser senhora de mim o tempo todo. E comer todos os chocolates que a alma pede sem temer que as ancas cresçam. E jantar uma sandes simplesmente porque me apetece ou estou sem vontade de cozinhar. E descurar a depilação sem me sentir o lobisomen ou recear que me franzam o sobrolho em sinal de protesto. E ser dona do comando da televisão para ver os disparates que entender sem negociar nem deixar ninguém amuado. E deitar-me à hora que quiser sem que uma voz (por vezes impertinente) me chame para a cama. E flirtar em todas as festas e encontros sociais sem que a culpa tome conta de mim. E não ter de esclarecer mal entendidos quase todos os dias a fim de acalmar as susceptibilidades do outro. E vestir pijaminhas quando o frio chega sem querer saber se é ou não um verdadeiro anti-tusa.
E tantos outros pequenos e grandes confortos aguardam que os desfrute. É o que vou fazer. Assim que conseguir apaziguar as feridas do meu amor próprio. Para já, vou comprar um grande chocolate e comê-lo todo sozinha. Até sentir a garganta a arder. E o coração encher-se de doçura.
Thursday, November 02, 2006
Acho que devo a sanidade mental à escrita. Aos desabafos que faço, escrevendo. Só assim consigo lavar a alma. Ou deixá-la mais aliviada. Muito graças a esta catarse aparento ser uma pessoa equilibrada. Ou quase. E vou seguindo sem grandes sobressaltos. Do lado de fora. Ou melhor, vista do lado de fora. “A melhor maneira de saber quem somos, muitas vezes, é tentar perceber como os outros nos vêem.” Quem diz é o romancista brasileiro Paulo Coelho. Até concordo com a observação. Seja como fôr, do lado de dentro (onde me encontro a maior parte das vezes) é diferente.
É raro o dia em que não me confronto com novos desafios. A uns, agradeço a elasticidade mental e o crescimento interior. A outros, lamento os tormentos. E contra estes luto. Embalada nos alentos que desperto em mim. Nunca ninguém disse que viver era fácil. Mas há quem viva de forma mais serena. Menos doída, pelo menos. Sempre pensei que tranquilos eram os pobres de espírito. Aqueles que não questionam. Aqueles que aceitam o que a vida lhes dá. Aqueles que desconhecem e nada fazem para conhecer.
Não quero ser pobre de espírito mas busco a quietude. Um dia atrás do outro...
É raro o dia em que não me confronto com novos desafios. A uns, agradeço a elasticidade mental e o crescimento interior. A outros, lamento os tormentos. E contra estes luto. Embalada nos alentos que desperto em mim. Nunca ninguém disse que viver era fácil. Mas há quem viva de forma mais serena. Menos doída, pelo menos. Sempre pensei que tranquilos eram os pobres de espírito. Aqueles que não questionam. Aqueles que aceitam o que a vida lhes dá. Aqueles que desconhecem e nada fazem para conhecer.
Não quero ser pobre de espírito mas busco a quietude. Um dia atrás do outro...
Wednesday, September 27, 2006
Amor é…
Apeteceu-me teorizar sobre o Amor. Bullsheet. O amor é o sentimento mais inextricável que existe. O amor não se explica. Vive-se. Vive-se, simplesmente. Com mais ou menos intensidade. Com mais ou menos momentos fantásticos. Conforme a sorte. Conforme a vontade. Conforme o esforço das partes...
Se se explicasse, não havia corações partidos. Nem amores desencontrados. Nem amantes infelizes. E também não havia paixões arrebatadas. Nem volúpia. Nem passarinhos a cantar.
Um dia, alguém me disse que amor é uma mistura de amizade e sexo. Na altura, senti-me ameaçada. Achei o conceito primário. Redutor. Ofensivo mesmo. E não me cansei de esgrimi-lo com as minhas “verdades” emocionais.
Hoje, admito, é o mais próximo do que julgo ser de facto o amor. Mas juntaria outra às duas premissas: a magia. O “je ne sais pas quoi”, o transcendente, o inexplicável. É isto que faz do Amor a fonte maior de inspiração. O alimento dos poetas. A luz dos artistas. O riso. E as lágrimas dos amantes.
Apeteceu-me teorizar sobre o Amor. Bullsheet. O amor é o sentimento mais inextricável que existe. O amor não se explica. Vive-se. Vive-se, simplesmente. Com mais ou menos intensidade. Com mais ou menos momentos fantásticos. Conforme a sorte. Conforme a vontade. Conforme o esforço das partes...
Se se explicasse, não havia corações partidos. Nem amores desencontrados. Nem amantes infelizes. E também não havia paixões arrebatadas. Nem volúpia. Nem passarinhos a cantar.
Um dia, alguém me disse que amor é uma mistura de amizade e sexo. Na altura, senti-me ameaçada. Achei o conceito primário. Redutor. Ofensivo mesmo. E não me cansei de esgrimi-lo com as minhas “verdades” emocionais.
Hoje, admito, é o mais próximo do que julgo ser de facto o amor. Mas juntaria outra às duas premissas: a magia. O “je ne sais pas quoi”, o transcendente, o inexplicável. É isto que faz do Amor a fonte maior de inspiração. O alimento dos poetas. A luz dos artistas. O riso. E as lágrimas dos amantes.
Friday, August 25, 2006
Estou a deixar a “casa de bonecas”. O meu reduto. A minha fortaleza. O único espaço que foi só meu. E que geri ao sabor dos meus projectos, sonhos e caprichos.
A partir de agora, vou partilhar de novo os dias e as noites. Com o meu amor. Que já era. E por quase deixar de ser descobri a minha casa. Que já não é.
Estou cheia de nostalgia. É como se fosse a primeira vez. Esta coisa de viver a dois. Experimento um turbilhão de sensações. Excitação. Arrepios no estômago. Pulsações aceleradas. Medo. Insónias. Irritação. Mas, sobretudo, motivação. Para contrariar o cliché: um passo à frente no amor, dois passos atrás na paixão. E vontade. De não abdicar do meu espaço. Nem açambarcar o do meu amor. E esperança . De não voltar a mergulhar no marasmo. E sonhos. De ser feliz.
A partir de agora, vou partilhar de novo os dias e as noites. Com o meu amor. Que já era. E por quase deixar de ser descobri a minha casa. Que já não é.
Estou cheia de nostalgia. É como se fosse a primeira vez. Esta coisa de viver a dois. Experimento um turbilhão de sensações. Excitação. Arrepios no estômago. Pulsações aceleradas. Medo. Insónias. Irritação. Mas, sobretudo, motivação. Para contrariar o cliché: um passo à frente no amor, dois passos atrás na paixão. E vontade. De não abdicar do meu espaço. Nem açambarcar o do meu amor. E esperança . De não voltar a mergulhar no marasmo. E sonhos. De ser feliz.
Monday, August 21, 2006
Carta ao meu amor
Sabes amor, hoje acordei triste. Triste, triste, triste. Tudo à volta era cinzento. Adormeci num soluço. Com a falta do teu beijo. O beijo fôfo que me dás todas as noites. A acompanhar os votos de bons sonhos. Esta noite, esqueceste-te do beijo. Não há razões para fazer dramas. Eu sei. Estavas cansado. Tiveste um dia complicado. Ainda por cima, esperaste por mim algumas horas. Estavas contrariado. Percebo tudo isso. Agora vê se me entendes... Esta manhã, não me apeteceu ir ao encontro dos teus braços escancarados. Mais, a mágoa que tinha virou raiva quando percebeu a vontade de me envolveres num abraço. Todo dengoso. Todo lânguido. Indiferente à minha sensibilidade.
Sabes amor, estou longe de ser perfeita. Quando estou magoada não consigo fazer como se nada fosse. Sempre que o faço para fora, cresce em mim uma dor galopante por dentro. Daquelas que abrem um fosso tremendo (entre nós). Por outro lado, quando reajo, reajo mal. De forma quase primária. Não consigo dosear a explosão. Ainda não aprendi a arte do disfarce. Não em matéria de amor. Não queria dizer-te o que disse. Fi-lo para vingar a minha dor pequenina. Escavei uma dor maior. Feita da minha e da tua. Sabes amor, peço desculpa...
Sabes amor, hoje acordei triste. Triste, triste, triste. Tudo à volta era cinzento. Adormeci num soluço. Com a falta do teu beijo. O beijo fôfo que me dás todas as noites. A acompanhar os votos de bons sonhos. Esta noite, esqueceste-te do beijo. Não há razões para fazer dramas. Eu sei. Estavas cansado. Tiveste um dia complicado. Ainda por cima, esperaste por mim algumas horas. Estavas contrariado. Percebo tudo isso. Agora vê se me entendes... Esta manhã, não me apeteceu ir ao encontro dos teus braços escancarados. Mais, a mágoa que tinha virou raiva quando percebeu a vontade de me envolveres num abraço. Todo dengoso. Todo lânguido. Indiferente à minha sensibilidade.
Sabes amor, estou longe de ser perfeita. Quando estou magoada não consigo fazer como se nada fosse. Sempre que o faço para fora, cresce em mim uma dor galopante por dentro. Daquelas que abrem um fosso tremendo (entre nós). Por outro lado, quando reajo, reajo mal. De forma quase primária. Não consigo dosear a explosão. Ainda não aprendi a arte do disfarce. Não em matéria de amor. Não queria dizer-te o que disse. Fi-lo para vingar a minha dor pequenina. Escavei uma dor maior. Feita da minha e da tua. Sabes amor, peço desculpa...
Thursday, August 10, 2006
Faz-me acreditar
Amor, tenho medo
Muito medo
De esquecer o amor que te sinto
E perder o amor que me sentes
Muito medo
De acordar triste
E longe do encantamento
Amor, tenho medo
Muito medo
Deixa o tempo adormecer
Sem hora para despertar
Muito medo
Aperta os teus braços
À volta do meu medo
Enche-o de ti
Enche-o de ímpeto e alegria
Amor, tenho medo
Muito medo
Diz que somos eternos
Faz-me acreditar que o medo não existe.
Amor, tenho medo
Muito medo
De esquecer o amor que te sinto
E perder o amor que me sentes
Muito medo
De acordar triste
E longe do encantamento
Amor, tenho medo
Muito medo
Deixa o tempo adormecer
Sem hora para despertar
Muito medo
Aperta os teus braços
À volta do meu medo
Enche-o de ti
Enche-o de ímpeto e alegria
Amor, tenho medo
Muito medo
Diz que somos eternos
Faz-me acreditar que o medo não existe.
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